rosa-louca

rosa-louca é a papoila, tingida e frágil, selvagem...

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

agora sim, toca-se às

não consigo deixar de rir ao lembrar-me de quando cheguei à porta do novo prédio da bianca hoje à tarde e não percebi onde estavam as campainhas. havia as caixas do correio, e ao lado os números dos apartamentos e umas chapas redondas que não se moviam. perguntei ao inquilino que vinha a entrar:
- onde é que estão as campainhas?
e ele respondeu:
- são essas chapas.
- isto? mas isto não toca... - e tentei premir todas as chapas.
ele sorriu e disse:
- agora tocaste às campainhas todas.
eu ri-me e exclamei:
- a sério? ai que idiota!
e ele concluiu:
- ah, então é por isso que isto está sempre a acontecer!
(porque as pessoas não percebem que as chapas são as campainhas e começam a tocar em todas para ver o que acontece).

Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

5 da manhã

toca o telemóvel e penso que é o despertador. mas foi o toque de chamada. quando percebo isso já desliguei. toca novamente. dizem-me que a bianca está no hospital, bebeu demais e não conseguem acordá-la, por isso o melhor é eu ir para lá. tomo um duche (não sei porquê), chamo um táxi e vou para amstelveen para o hopital VU. a área do hospital parece um aeroporto, com túneis por baixo de vários blocos de prédios, e o hospital, por fora, também parece um hotel, com fachadas transparentes e luzes de várias cores nas escadas. luzes roxas, vermelhas, azuis. entro nas urgências e não se vê ninguém. mas a enfermeira que falou comigo ao telefone vem ao meu encontro. a bianca está deitada numa maca, toda tapada com cobertores eléctricos, e mesmo assim tem as mãos frias. as duas amigas dela estão sentadas em cadeiras no mesmo quarto, embrulhadas em cobertores. chovia torrencialmente quando elas percorreram cerca de cinco quilómetros a pé para chegarem ao hospital. eu sei lá o que são cinco quilómetros. mas acho que de leidseplein até ao VU é à volta disso. é estranho a bianca não ter aguentado o álcool, pois ela consegue beber imenso, e isto nunca lhe aconteceu antes. talvez lhe tenham colocado GHB numa das bebidas que lhe ofereceram. é uma possibilidade. passado hora e meia conseguem acordá-la, e ela ri-se. acha imensa piada ter acordado no hospital. eu nem estou zangada nem acho piada. voltamos para amesterdão de táxi e deixo-a a ela e às amigas em casa. algumas horas mais tarde, quando vou a caminho do trabalho, passa por mim um homem velho, com imensos rastas louros atados num rabo de cavalo, um casaco com padrão da tropa camuflado, uma caixa de madeira atrelada à bicicleta com um cão calmo de caracóis pretos lá dentro. mas o melhor de tudo é a banda sonora. o velho dos rastas leva um leitor de qualquer coisa (cassetes? CD's?) na bicicleta a tocar pink floyd muito alto. aquela música que diz: ticking away the moments that make up a dull day.

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

nota do mês

ao fim destes anos todos na holanda lá arranjei um namorado holandês.
e raios partam os gajos! e as gajas!
depois explico.

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

kinky lesbians are in town again...

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

mariana no outono

Era quase Inverno, e pairava no ar aquela sensação de retorno e de aconchego, de casacos, luvas e amizades. Foi com esse espírito que saímos juntas para a Avenida da Liberdade, no fim do trabalho, e descemos até aos Restauradores. Começámos imediatamente a falar das noites do Bairro Alto, e a Mariana disse-me que o Zelo, que passava música no Frágil e era um dos seus ídolos, trabalhava na loja de discos onde ela precisava de ir, e perguntou-me se eu queria ir com ela. Fui. O Zelo não estava lá. Depois cada uma tinha de ir para casa e despedimo-nos com o passou-bem que selou a nossa amizade de fins de Outono.

tudo 1

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

gansos que falam holandês e já não têm medo

video

Lara no outono

Chegáramos ao auge do Outono, as ruas do meu bairro estavam cobertas de folhas de um amarelo vivo e as árvores quase nuas. Parecia que tinha nevado, mas enormes e maravilhosas folhas amarelas. Mal se viam os passeios, e eu adorava dar pontapés nas folhas enquanto caminhava, para que voltassem a cair por cima de mim. E parecia, claro, bastante peculiar quando fazia isto.

beija paz

estranho no parque

folhas molhadas naquele dia com a susy

só em amesterdão

a sério que só em amesterdão. não é que amesterdão seja melhor que lisboa, por exemplo, ou que outro sítio qualquer, não é isso que eu quero dizer, nem mesmo quando critico lisboa. mas realmente só em amesterdão pode o meu colega de escritório dizer a mim e a outro colega, completamente "matter of factly", que a sua namorada é uma prostituta transssexual (isto escreve-se assim?) de quarenta e quatro anos. e estamos a falar de um colega meu de vinte e quatro anos, lindo de morrer, inteligente e essas coisas todas, que nem sequer fuma nem bebe.

alice no outono

As minhas calças verdes às cornucópias brilham mais na luz branca que emana do céu nublado. Em Lisboa, debaixo da luz amarelada do sol, as cores são mais secas. Com este tempo holandês tudo ganha um aspecto encantado. Para além disso, qualquer dia é Outono, e as árvores à volta do lago já estão cheias de folhas amarelas, cor-de-laranja, vermelhas e roxas. Gosto de sentir que alguém me observa, enquanto ando maravilhada pela mata a apanhá-las. A mata tem cogumelos, e nunca os tinha visto na natureza. Tudo isto me faz lembrar os livros da Anita, que li em criança, e me faziam desejar que o mundo fosse assim, perfeito, limpo, e belo. Mas nunca pensei que viesse a descobrir que afinal esse mundo aqui é real, se é que se pode chamar real à Holanda, com a sua terra oca e as suas paisagens artificiais plantadas. Bombas explodem nas músicas dos Pink Floyd.


vota em mim

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Rockwell - Somebody's Watching Me

Sábado, Outubro 17, 2009

SE NÃO FOI COMIGO, FOI PORQUE PODIA TER SIDO COM QUALQUER UM - OU - PORQUÊ MAITÊ PROENÇA ESTÁ RESSABIADA COM OS PORTUGUESES

Isso tudo foi porque quando estive na pátria agora pela ultima vez (a quem não sabe emigrei para a Alemanha), estava a curtir um finex no Adamastor quando dei com uma cara conhecida atrapalhada com um salto partido... Vociferava, guinchava, espumava de raiva, soltava toda o tipo de impropérios contra os ventos de Almada que apenas abafavam a sua cólera.

Por assim ter sido criado, aproximei-me da criatura e perguntei-lhe se estava tudo bem?

"Pô, quau tudo bêim, essa porra di chão mau prégado fudeu meu sapato!!"

-Cândidamente, com o meu natural sorriso de charme lusitano, respondi:

"Isso é a calçada Portuguesa, mundialmente afamada por tornar impraticável o uso de sapato de salto"

"S'é Portuguesa num sei, só sei qui calçada num pôdi sê naum. Tó aí, aquí ocê só tá vendo Brasileira descalça mêsmo"

Então, por ela relembrado quão difícil pode ser para um brasileiro compreender o nosso sotaque fechado, recorri ao meu sotaque novela, que a sempre recorro, pela natural simpatia hospitaleira lusitana que orgulhosamente ostento e de forma a que pudesse ser compreendido por alguém que vem de uma cultura audiovisual de "doblagem", sobrepondo com autoritário nacionalismo cultural a riqueza e beleza natural da língua original.

"Pô, ocê é a Maitê! Cara, ocê era a diva da minha infân... hum, juventudji... Isto é, tardia juventudji. (Admito que fiquei meio engasgado quando quase, quase a relembrava de quão velha ela realmente é.)"

"Pô Maitê, não entra numa fria, gata! Ocê só tem dji fazê uma coisa muito simplisss"

Então pedi-lhe o outro sapato, peguei no respectivo salto, parti-o e disse:

"Prontxinho, Maitê. Tá vendú, xuxu beleza, já podji caminhá ôtra vêsss!"

A mulher ficou assombrada de espanto. Olhou-me como se fosse o Messias descido à terra, bênção do Cristo plagiado do morro da Trafaria.

"Pô cara, ocê salvô meu djia! Vem cá, vô-txi convidá pôum chopinho e ocê nem pensi em dizê naum, hên?!"

"Pô, um chopinho com Maitê, isso é um sonho de decada, mejmo.. Hum, qui txenho desd'o tempo em txi via contracenando na Sinhã Môça"

E pronto, lá fomos para aquele terraço maravilhoso mesmo em frente, e enquanto ela emborcava chopinhos uns atrás dos outros, eu, que sempre preferi finex's, lá dava à língua, contando-lhe de como tinha emigrado por Amor e tinha encontrado na minha Steffi Alemã toda a paixão tranquila que nunca tinha conseguido encontrar nas passadas desventuras.

Duas horas depois, a mulher estava uma lastima. Com aquela avidez própria da crise da meia idade, de disfarce continuo da pesada realidade dos seus 50 anos, ela havia bebido como uma adolescente em puberdade, estando claramente imprópria para consumo, quanto mais para conseguir chegar ao hotel sem partir, desta vez não um salto, mas uma perna ou até pior o nariz... nas pedras da calçada Portuguesa, com certeza.

Quando finalmente saímos da esplanada ela diz-me

"Óh Jô, acho qui estô um pouco desorientada aí com a cidadji"

Sabendo de antemão que a desorientação era outra, enrolando o meu bigode pirata perguntei-lhe:

"Ocê qué qu'eu txi levi no hoteu?"

Então, num movimento continuo, próprio de um gran finale de uma dança de tango, quase caindo nos meus braços, num sorriso infinito diz:

"sssssssssssiiiiiiimmmmmmmmm!" Então levei.

No hotel do Bairro Alto, ali tão pertinho para tão grande desorientação, a Brasileira calçada de sapato agora raso, arrasava assim de vez o desafio da outra calçada, a Portuguesa. Maitê pegava no meu braço como caçador que leva com propriedade a perdiz recém caçada.

Quando chegámos à entrada do hotel, Maitê, com a sua valquírica confiança diz-me num bafo quente de cerveja amarga:

"Mi leva na porta?"

-como típico macho luso, pausei um pouco na minha confusão - "Tem razãum Maité, isso aí é o portão. Qual é seu quarto?"

"Foi o washintôn, anotei todos até hoji, tau quau Don Giovanni. Ha, desculpa, o numero ocê quer dizê. É o 309"

-E levei. Uma vez cavalheiro, cavalheiro até ao fim. Afinal a admiração que tinha pela musa da minha infancia, merecia a minha retribuição pela gloria dos meus passados sonhos molhados. No elevador, enorme, estava mais apertado que no metro em hora de ponta. Sorri, como quem não quer a coisa, num olimpico esforço para não toar com vermelho do seu vestido. Pim! Terceiro andar. O olhar de Maitê consumia-me como faminto olhando vitrina de restaurante de peixe. Os últimos 20 metros até ao 309 pareceram maiores e mais sacrificados que o caminho de Compostela... desde Istambul. Chegados enfim, Maitê abre a porta e sussurra como Marilyn em dia de aniversário de presidente:

"Vem?"

Então, sem poder mais conter o copo cheio, entornei:

"Pô Maitê, eu txí contei. Meu coraçãum só existxí pá Steffi. Sofri muito para conseguí o amor. Não vale a pena sexo de uma noite com Deusa, para descer no inferno pó resto da vida."

"Quê? Deu moleza agora? Tá gozando na minha cara? Vai aquecê para depois largar numa fria?"

"Nâum Maitê, tô longe desse fêtixí de dominaçâo machista, vou lá gózá na sua cara! Meu lance é carinho mêmo, gôzo colectivo e simultaneo. O negócio é outro. O amor qui ocê qué, não tjem como traí. Mi perdoa, mas djei até ondji podjia dar"

"Viado! Frôxo! Só podji sê as duas coisas. E ainda por cima sádico! Só podjia sê português!"

"Não Maitê, Foi ocê que pensô que todo o homem é cara dji pau, cafageste como o Brasileiro. Decencia não tem nacionalidade. Só o preconceito mêmo!"

Fechou a porta com estrondo na minha cara. Ainda deu para a ouvir dizer:

"Esperemos qui essá mérda dji terra tenha ao menos garôto dji programa na internetxi. Posso até perdê o orgulho, mas graças a Deus ainda tênho meu portátxiu!"

Como diria o meu pai: "Com um feitio assim só pode ser mal fodida"

por JC.OM

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

deep fried piano?

video

by knoterot, court case speech from damrak 16 punks

i hope no one kicks my ass for blogging this, i just can't resist, cuz it's too good!

Domingo, Outubro 04, 2009

carta a cláudia

Como sabes, nestes lados da Europa não se passa nada.
Todas as minhas aventuras acontecem nos sonhos que tenho, nos livros que leio, no que escrevo, nas drogas que tomo.
É tudo tão espiritual, de acção tão limitada.
Aqui, a imaginação é essencial.
Isto parece uma hibernação.
A acção está aí!

anos 90

rocky girl

Se o Joel tivesse vestido o vestido da Elsa naquela tarde de praia no Meco, a férias teriam sido muito mais divertidas. A parte de cima ficava-lhe mesmo bem!
Se soubesse, dias antes, que ele nos iria fazer uma desfeita assim, teria mesmo escrito nas suas costas "Viva Zapata!" com o leite protector.

anos 90

holland

it's always winter
it's always dark
feverish weather
rainy weekend weather
what are we supposed to get from this?
inspiration?

impulso verde

O que me pesa é a inutilidade da vida. Agarro-me a um sonho; desfaz-se-me nas mãos; agarro-me a uma mentira e sempre a mesma voz me repete:
- É inútil! É inútil!

Raul Brandão

Sábado, Outubro 03, 2009

impulso cor de laranja

As coisas que se dizem contrárias ou não representativas do que se sente... não, não é isso... as coisas que se sentem e que, ao serem comunicadas verbalmente, não conseguem transmitir nada do que realmente conta.
As coisas que se sentem e que, não sei porquê, só penso que sei... há uma janela entreaberta na minha consciência e só às vezes, como um sopro vindo de algures, entrevejo a sabedoria do inconsciente.
As coisas que as palavras matam e o coração sofre pela boca. O que se poupa em não dizer nada...

anos 90

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

os três mosqueteiros na quinta da regaleira

Com que força senti naquela tarde a energia calmante e aventurosa de Sintra. Uma autêntica mistura mágica, servida a frio, com um pouco de nevoeiro. O cansaço e a ressaca da anterior noite alcoólica desapareceram assim que entrámos pela primeira gruta. Deu-se em nós um retorno maravilhoso à infância, se é que alguma vez a abandonámos. Será que o Gui deu por isso? A sua imaginação divagava, ouvia cânticos longínquos e estava decidido a descobrir passagens secretas, como havia feito algures. Eu estava simplesmente feliz, tal menina metida em aventuras com os rapazes, explorando o nosso mundo e a nossa existência. O que se manteve mais normal foi o meu irmão. Ao voltarmos a Lisboa, no comboio, não dissemos palavra. Acho que partilhávamos a mesma paz medieval, como se algo aberto em nós desde há muito tivesse finalmente sido preenchido. Por ora.

anos 90

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

a gata e o pombinho



o maninho

o circo

o meu partido (abstenção) ganhou as eleições. não percebo porque é que o ps vai governar novamente. se isto é uma democracia vou ali já venho.

Domingo, Setembro 27, 2009

hot damn! my legs are nice!

does she know how cute she is?

the first shot is generally the best

life in the gutter

i forgot we have palm trees in lisbon

colcha de azulejos



prédios da graça, lisboa

Madonna - Holiday (Live AID, 1985)

this time the portuguese are cool

well, actually they've always been so, but last july i could only see them as walking potatoes. this time i've seen quite a lot of beautiful people.
i'm walking down the washington street and this old lady is singing at her ground floor window. she's singing "nothing stays" and i smile at her. she smiles back and adds, as i'm walking forward:
"darling, it's not just sadness, we have to be happy!"

a gata que grita (e o dono que grunhe)

video

Sábado, Setembro 26, 2009

District 9 Trailer "Christopher Johnson"

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

David

David and myself have been friends for twenty-three years. Our friendship was immediate. We met on his sixteenth birthday, when I was seventeen, and about two days later, if not one, he told me:
“I think we should be friends...”
And I replied:
“Me too!”
“So lets hug walk...”
“Yeah, let's!”
He was my first hug walking friend.
After I moved to Holland we have been seeing each other on average about once a year. I can't possibly be with all my friends all the time I spend in Portugal, so I kind of go with the flow and spend time with whoever I feel like seeing first or whatever.
Even so, every time we're together it's like we saw each other two hours ago or something. Once I called him to meet up when I was in Lisbon, and he was home so I went to his house. It was in the morning or shortly after lunch, and he was sleepy as hell, and so was I. So we said “Hi” and told each other how sleepy we were and just went to his bed and slept for a few hours without saying anything else. When I woke up I told him:
“I have to go.”
“Okay, sweetie,” he replied, “I think I'm going to sleep some more.”
And that was the only time we saw each other that year.

This time I'm waiting for him at the Figueira square and the teenagers on skates are jumping and sliding fast all around me. Dusk is falling and the yellow lamps in the square are already on. The castle is on top of the hill and Lisbon at night is soft.
The teenagers gave me a look when I arrived and sat next to them, by the statue, as if I was one of them. They looked me in the eyes, so I figure I'm still interesting enough for that.
I wait for half an hour and think how everything becomes so much easier when you don't give a shit about anything anymore. Easier and somehow magical. In the morning, when I arrived to the airport, I waited for my father outside the arrivals area, next to the bus stop. I sat on the sidewalk, and this woman in a car with her teenage son started gesturing at me. I thought maybe she wanted to park where I was sitting. And then she said, through the window:
“Do you need a lift, or something?”
I smiled and said “No, thanks”.
“But is everything okay? You're not feeling sick or anything?”
I had to smile again.
I swear I wasn't looking that depressed. I really wasn't.
David finally arrives in the bus and gets out. He's wearing a complete suit and a tie because he's on the way to his work in the international train to Madrid. He looks like James Bond. I walk towards him and shake his hand:
“Bond? James Bond? Alotta Fagina, nice to meet you!”

So last night I laughed as much as what half an hour working out in the gym can do for you. Really, laughing like this every day would give anyone a six pack.
David is funny. Or funny things happen to him. He told me an episode of his life that I didn't know about. It was the night before he went to the army, when he was eighteen or nineteen, and it was very late. Someone else, a friend, was driving his car. At the end of the Infanto Santo avenue, the friend, who had gotten his driver´s license only very recently, made the turn to the 24 de Julho avenue on forth gear, and obviously the car tipped over. It rolled almost twice over, and finally stopped sideways with the driver's door up. So all the four people in the car had to get out through the driver's side window. Luckily no one got hurt, and another car passing by stopped and the driver came to give them a hand. As David was getting out through the driver's window, the guy who was helping them out said:
“Hey! David! How are you? Are you okay?”
And David said, while accepting the guy's hand to be pulled out:
“Oh, hello, yes, I'm fine, and how are you?”
“I'm doing well, thank you! And how's your brother? Is everyone okay? I haven't seen you for so long...”, etc.

Until today David still doesn't know who the guy was.

The Inexistent Book, 2009

yes, but no, but yes, but no

não ter deus é um deus também

fernando pessoa, 1914

same, same, but different

David is funny. I had forgotten how crazy and inventive he was. He arrived a bit apathetic and that freaked me out. I can't pretend that everything is fine when something bothers me and the people involved are capable of understanding it. I mean, I'm not going to tell my grandmother that she gets nervous many times for no reason. She's ninety years old. And I'm not going to tell her that Christianity is an unconscious religion of forgotten purposes. Just like so many other religions. On the contrary, I take her to the mass, I remember my childhood, and I try to understand what's symbolic about celebrating life around the adoration of a god. I try to decipher the origin of the logic. I end up concluding that going to the mass is like going to a trance party. People just want to unite, to give and receive love, to feel the energy of the universe and of themselves, and to purify themselves.
Eating the holy bread is like taking an acid. Religion is an inevitable human condition. Not believing in anything is believing that you don't believe in anything.

All One, 2004

i actually think LOADING is better, lol

What Leary took down with him was the central illusion of a whole life-style that he helped to create... a generation of permanent cripples, failed seekers, who never understood the essential old-mystic fallacy of the Acid Culture: the desperate assumpion that somebody - or at least some force - is tending that Light at the end of the tunnel.

This is the same cruel and paradoxically benevolent bullshit that kept the Catholic Church going for so many centuries. It is also the military ethic ... a blind fate in some higher and wiser "authority". The Pope, The General, The Prime Minister... all the way up to "God".

Hunter S. Thompson
Fear And LOATHING In Las Vegas, 1971

Terça-feira, Setembro 22, 2009

atirei o pau ao gato

pergunto-me se ainda hoje se ensina às criancinhas essa canção que diz imenso sobre a ignorância portuguesa.

the wave

You could strike sparks anywhere. There was a fantastic universal sense that whatever we were doing was right, that we were winning...
And that, I think, was the handle - that sense of inevitable victory over the forces of Old and Evil. Not in any mean or military sense; we didn´t need that. Our energy would simply prevail. There was no point in fighting - on our side or theirs. We had all the momentum; we were riding the crest of a big and beautiful wave...
So now, less than five years later, you can go up on a steep hill in Las Vegas and look West, and with the right eyes you can almost see the hight-water mark - that place where the wave finally broke and rolled back.

Hunter S. Thompson
in Fear And Loading In Las Vegas

Domingo, Setembro 20, 2009

Jefferson Airplane - Somebody to love

cosmic sixties

Strange memories on this nervous night in Las Vegas. Five years later? Six? It seams like a lifetime, or at least a Main Era - the kind of peak that never comes again. San Francisco in the middle sixties was a very special time and place to be a part of. Maybe it meant something. Maybe not, in the long run... but no explanation, no mix of words or music or memories can touch that sense of knowing that you were there and alive in that corner of time and the world. Whatever it meant...

Hunter S. Thompson,
in Fear And Loading In Las Vegas, 1971

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

Adelaide Ferreira - Baby Suicida

ainda hermann hesse

Talvez cada pessoa tenha sua trajetória na vida já determinada, como uma bola que, arremessada, segue uma linha certa, segundo a direção, o impulso e o efeito que lhe tenham sido dados, e nada pode fazer para alterá-los. Só a vaidade nos leva a crer que podemos alterar ou burlar o nosso destino. Em todo o caso, o "destino" é algo que temos dentro de nós e não fora.

next life

i wanna live again, that's for damn sure. i wanna have bigger boobs, just a bit, and i wanna have a girlfriend with boobs bigger than mine.
i wanna live again in the same time period. be born in 71, and die at 74.
at least two lives in the same period of time, i think that's all right. that is if i've never lived this period before, which sometimes i think i did, because i can see things before they happen.
of course i want a better life, then, because this one i didn't really live, at least not until i was 34, not really.
don't get me wrong, i very rarelly fall in love with girls, but just one is a must.
in front of me, two swans swim in the river.

mas não foi ontem à noite

ontem à noite sonhei que desenhava, a caneta de feltro vermelha, um coração na minha perna e outro no meu braço. estavam muito mal desenhados.
mas hoje vi uma adolescente com um coração do mesmo tamanho dos meus e bem desenhado na cara. o coração vermelho ficava mesmo bem na cara branca dela.

...

i believe in blood and veins
milky ways and constellations
i believe in breasts and cow tits
and female cats licking their paws
i believe in sunsets and alligators
and the smell of the earth at night
i believe in ghosts and spirits
and huge waves crashing over new york
i believe in headaches and breakdowns,
heart attacks and rainy days.

este lado da vida

a coragem de, num instante, jogar fora anos de liberdade juvenil e de os imolar pelo sorriso de uma mulher chama-se felicidade.

hermann hesse

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

yeah, life is shocking


greetings

Hey hon, it’s Mark, your friend… the dreamer! I got a cold! My nose is all… yeah, you know? Full of snot, and I just don’t know what to do. And I was wondering… I was doing the dishes and I then thought one thing that we totally have in common is that we’re very sweet to people, and people, like, know us as being a very sweet person, but we’re all fucked up and twisted inside, full of compromising thoughts and strange stuff going on within. But then, on second thought, I was thinking, like… yeah, but isn’t everybody who is very sweet like…you know? Twisted just like any other person who is not sweet? Like all persons have of course an inside universe that’s not so… very… uh… uh… uh… stable working. But, anyhow, I thought then but what the heck? The fact that… we’re friends, and we never feel like, uh… uncomfortable with each other… and that’s already something really special, because with most people you like them, you know, and you want to see them once in a while, but at some point you start feeling uncomfortable, or there’s always some conflict that you can’t agree about, and they always bring it up, and then you think oh, fuck it, and you’re happy that you’re alone again. But with the two of us we’re always having fun, and we laugh about the same stuff, and… even yesterday I was laughing and you weren’t even there (laughs loud), because… because I sent you the message, with the groeten*, and then right away I started phoning Ro, and then while I was phoning, you know, and he didn’t pick up yet, I was thinking oh my god, I hope she’s not calling, you know, and then I won’t be able… I won’t be… you know, you know what I mean? I won’t be there anymore, and I thought what a nice ongoing… joke this is. And… only for that I thought Jesus, if you have such a good friend you should hang out all the time together… So that’s what I wanted to tell you in this message… that we should just hang out all the time together… So, uh… whenever, hon! Right now I’m sick, so if you feel for getting sick drop by, no problem! So, well, I hope to talk to you soon. Ciao, hon, bye-bye!

*dutch word for "greetings"

going to barcelona

Borderline

There are two of us. One is impulsive and the other is rational. The impulsive can’t handle emotions and cuts arms and legs when the emotional pain is too strong. The rational calls a friend and asks him or her to babysit for us, because the rational knows the impulsive will end up cutting wrists or jumping off a building.
Then the rational tries to talk to the impulsive, but it’s almost impossible, because the impulsive can only cry. So the rational calls the psychiatrist and asks for sleeping pills, because those are the only things that can calm down the impulsive during the first days of a crisis. The rational keeps telling the impulsive that cutting wrists or jumping off a building doesn’t make any sense, that there’s films to watch, and books to read, and a crazy daughter who will beat up anyone who hurts us, and the sun is shining, and who knows if we will win the lottery tomorrow and travel to Florida with Mark. But the impulsive doesn’t see the point in life. Getting old, and sick, with cancer or what not, someday, all for what? The impulsive is having a middle life crisis. The impulsive has always been fucking unhappy. The impulsive believes in reincarnation. And there’s not much the rational can say to dispute that. Fortunately, the impulsive loves our cat.

Sexta-feira, Agosto 28, 2009

Zibabu lost

lords of dogtown trailer

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

este teste continua a interessar-me...

nota do dia de anteontem à noite

cobel sobre a adoração à scarlet johanson no filme "gomorra":

- foda-se! as pessoas acreditam mesmo naquilo que lhes dizem! então não há por aí gajas mais giras do que esta aos pontapés?

Segunda-feira, Agosto 24, 2009

Bucket Boyz @ Happy Smile don't fence me in

eu tenho de viver com a minha cabeça, como tu costumas dizer

Antes que me esqueça, já não acabo contigo desde fevereiro de certeza. E quem disse que se tiveres de sair de minha casa mais vale acabarmos foste tu. Eu apenas queria estar sozinha de vez em quando, pois viver juntos é difícil, tanto para mim como para ti. Mas nem isso quero, já sei que se arranjasses um quarto numa casa ocupada eu não ia querer que não viesses dormir a minha casa muitas vezes. Ser aquário é mesmo difícil, e somos os dois aquário. Mas pelo menos entendemo-nos. Estar apaixonado é uma tortura!

Domingo, Agosto 23, 2009

num mês qualquer de um ano recente

não é o amor envelhecer e gostar de como envelhece a pessoa que amamos? gostar do seu envelhecer, de como vai ficando enrugada e calma e madura? não é o amor amar para sempre? e não é o amor não o saber explicar? ou será apenas atração física? e o que é que isso interessa? se é apenas atração física ou não, é amor na mesma; é com quem queremos estar na mesma. sabemos sempre com quem queremos fugir, ter filhos, dormir. amar é dormir bem com quem se ama, e gostar do seu respirar. não acordar com o seu respirar, mas adormecer. amar é preferir o seu cheiro aos desodorizantes. amar é ficar inebriado com o seu cheiro.
e ela? é apenas um poema? e os nervos que me causa vê-la? e a depressão que me dá não tê-la? e o seu corpo, e o seu sinal? tudo isto é apenas físico. desconheço o seu cheiro, o seu amor, a sua loucura, e mal recordo o que me disse. não amo o seu cheiro nem o seu cheiro me inebria como o calor que emana do corpo imundo do meu ex-namorado.

adolescentes no meio do nada

as coisas que publico neste blogue fazem-me mesmo feliz. não são para passar o tempo ou comunicar nadas. são marcos dos meus dias, que me causam imenso prazer, tristeza ou inspiração. como a mistura de imagens do glue (alexis dos santos) com a música with every heartbeat (robyn) feita por bluedogtown que apanhei no youtube e me deixou completamente deslumbrada. primeiro achei que a música combinava tão perfeitamente com as imagens que pensei que era a verdadeira banda sonora do filme, mas não é. e o alexis dos santos tem realmente talento para transformar os atores dos seus filmes em personagens libidinosas. claro que o facto da adolescência ser um dos temas principais dos meus livros me faz interessar por filmes assim, e o bluedogtwon conseguiu derramar o ouro sobre o azul com a sua escolha musical. de outra maneira, noutro contexto, não creio que achasse qualquer piada à robyn. mas esta montagem é sem dúvida das coisas mais sensuais que já vi.

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

Glue - Heartbeat

a árvore do meu quintal guincha levemente

são as árvores que generam o vento com os seus movimentos autónomos, e não ao contrário.
este pensamento abre uma dimensão.
não é um pensamento meu, nem do mark, mas dos incas, ou isso.
abre a dimensão das coisas ao contrário, a mesma da rapariga francesa que diz que o gira-discos que não toca quase disco nenhum não está estragado mas melhor, pois mostra-nos os discos que prefere.

Domingo, Agosto 16, 2009

Unmade Beds clip 2

camas desfeitas

as personagens... conheço-as todas; a rapariga francesa, o alemão ou isso por quem ela se apaixona, o puto espanhol, o inglês amigo dele, o punk que ajuda a francesa.
e as casas e os bares... também já lá estive.
e as bandas... até mesmo o hotel... já lá trabalhei.
pensava que era tudo exactamente igual exceto que havia menos sexo... e lá se envolveram eles num trio.
e o alemão ou isso até beija como o meu ex-namorado psicopata austríaco.
penso nos últimos dias que tudo já é exactamente como deve ser. não é um pensamento novo, mas renovado. queixamo-nos tanto, mas há tanta beleza nas nossas vidas.
lá fora um idiota fala extremamente alto e distrai-me. deve ser do suriname e deve estar ao telefone. continua a gritar, como se ao telefone fosse preciso gritar tão alto quanto a lonjura da distância.
as pessoas irritam-me, mas ao mesmo tempo consegue viver-se uma certa paz nesta sociedade terrestre.
e até às festas deles já fui... a todas elas. assim como já apanhei as mesmas pielas, já me vesti como a francesa, e já joguei aos mesmos jogos poéticos. também já andei com o puto espanhol.
é como se tudo se repetisse constantemente numa espiral que à custa de tanta repetição acaba por evoluir.
e apanhamos pielas para perdermos a consciência que nos separa e perdermos o medo.

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

spider spinning

video

haverá dmt no ar?

era uma velhota vestida de lilás, toda primaveril, de saia, camisola e chapéu do mesmo tom. movia-se num daqueles carros para deficientes motores, uma espécie de mistura de cadeira de rodas e smart, ligeira e surreal. na parte de trás do carro passeava um autocolante que dizia, em inglês, "ferrari reciclado", e outro ainda que pedia para darmos à paz uma oportunidade.
no caminho do trabalho para casa, à 1 da tarde, vejo os gansos, aqueles que acreditavam que ninguém os podia ver quando moravam perto do lago, todos de pé virados para o sol em frente ao canal, direitos e cómicos. não consigo imaginá-los, todos 10 ou 15, a caminharem juntos pelo parque durante a noite. continuam a imaginar que ninguém os vê, pois quando nos aproximamos assustam-se muito.
e ainda a velhota de cabelos brancos louros presos com um gancho de lado, que passeia pela haarlemmerweg para trás e para a frente a refilar com alguém imaginário.

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

ladybugs invade some place in the netherlands!


those anarchistic little cuties! i knew they had it in them!

Segunda-feira, Agosto 10, 2009

after all these years i like it shorter and shorter

Quarta-feira, Agosto 05, 2009

bah!

já percebi a cena do acordo ortográfico e porque é que os portugueses discordam (explicou-me ontem a minha amiga carla que é dona de uma editora), mas fundamentalmente são razões políticas (económicas), e para essas razões estou-me lixando. os políticos farão sempre aquilo que quiserem. disse-me ela que se uma editora brasileira comprar os direitos para a língua portuguesa isso incluirá o português europeu também, e assim a minha amiga já não pode comprar os direitos para portugal. merda, mas o português está resumido a isto (fatores económicos)? ela também disse que há expressões brasileiras e portuguesas que não vão ser traduzidas nos livros de acordo com o país onde são publicados (acho que me estou a explicar mal), mas isso não quer dizer que os putos em portugal irão agora aprender português brasileiro em vez de europeu, as diferenças continuarão a existir e a serem aprendidas como tal.
acho que as pessoas estão a misturar alhos com bugalhos. não há mesmo nada no acordo ortográfico de 1990 que eu considere que torne a LÍNGUA mais complicada ou difícil ou feia ou seja lá o que for de negativo. A LÍNGUA, porra, não a economia e a burocracia.
bah!

estes holandeses...

acho que este vídeo vai dar a volta ao mundo